terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

ARTE DE CONTAR E OUVIR HISTÓRIA

Quem nunca ouviu uma história fascinante? Daquelas que ficam grudadas no coração e que às vezes podem até mudar uma vida. Elas, as histórias, são as precursoras do cinema e a televisão, dois dos maiores símbolos da era moderna. Encantam tanto porque tocam em algo que só nós humanos possuímos, a imaginação.
Essa tradição, e ao mesmo tempo uma arte, perde-se no tempo, é tão antiga quanto o próprio homem.

Contar histórias era uma maneira de divertir, de estimular a união e principalmente uma forma muito eficiente de ajudar o ser humano em sua busca de autoconhecimento e compreensão do mundo que o rodeia.
É uma arte perdida, que precisa ser resgatada.

A História de Sherazade

As mil e uma noites são as famosas e irresistíveis histórias inventadas e preservadas pela tradição oral dos povos da Índia e posteriormente da Pérsia. Seu autor é Antoine Galland, que se baseou num texto sírio datado do século XIV.

Mil e uma noites é o tempo em que Sherazade, mulher "experta", corajosa e determinada teve sua cabeça a prêmio.

Conta-se que num antigo reino, um sultão extremamente cruel e movido pelo ódio às mulheres, tinha à cada noite uma companhia feminina diferente. Depois de usufruir de todos os prazeres que uma mulher pode proporcionar, e sem oferecer nenhum tipo de afeto em troca, executava sem piedade sua amante marcada para morrer. O terror se espalhou pelo reino, toda noite a filha de algum súdito conhecia a morte precedida pelo amor fugaz. Sherazade conseguiu o impossível, remover do coração do Sultão todo o ódio e amargura que o corroíam. Apenas sua beleza não podia ajudar, era preciso uma estratégia hábil e ao mesmo tempo sutil. Dotada de um domínio raro das palavras e de uma memória que desafiava o tempo, seduziu seu carrasco com uma história que se iniciou numa noite e foi sendo recriada outras mil vezes. Querendo conhecer o desenlace das tramas, o sultão poupava Sherazade sempre para a madrugada seguinte. Assim como nós, ela conseguia adiar sua morte. No milésimo primeiro dia, o sultão descobriu que amava aquela mulher, revelando o poder da palavra.





Por Fernando Seth